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CADA GERAÇÃO DÁ UM PASSO

  • Foto do escritor: marialuizakuhn
    marialuizakuhn
  • 1 de dez. de 2025
  • 3 min de leitura



Ao ouvir a frase "cada geração dá um passo" proferida por um palestrante, e a apresentação didática numa linha do tempo e seus exemplos, despertou-me a escrever sobre o assunto.

Quais foram as principais fases e transformações vividas por quem antecedeu a nossa?

Comecemos pelos Tataravós. Gerações anteriores são nossos ancestrais.

A linhagem da sobrevivência: tataravós (+ - 1850)

A geração das tataravós carregou a marca pela sobrevivência. Nesse tempo, a única perspectiva viável era garantir a permanência e a continuidade da vida, num cenário de elevada mortalidade infantil e de grandes dificuldades com diversas doenças incuráveis e alimentação escassa. Quantos dos filhos gerados e paridos conseguiam sobreviver nesta época?

O passo da alfabetização: bisavós (+ - 1870)

A geração seguinte, a das bisavós, foi composta, em sua grande maioria,  por pessoas analfabetas, cuja principal luta era proporcionar aos filhos a oportunidade de frequentarem a escola, pelo menos para a alfabetização. O sonho ultrapassava a primeva atenção voltada apenas à sobrevivência, embora ainda fosse desafiador sobreviver. Um futuro melhor começava a desenhar-se tendo a educação básica como meta, ainda que distante e difícil de alcançar.

O despertar para novas possibilidades: avós (+ - 1900)

Com os avós, dá-se um novo passo: o acesso à leitura e o reconhecimento de que existem outros mundos possíveis. É como se tivessem saído da caverna de Platão e descoberto outras realidades. Foco na disciplina e na cobrança do desempenho. Muitas horas de trabalho manual dos adultos e das crianças, com parcas horas de brincadeira. Sugere-se então a pergunta: já teriam eles consciência da importância do afeto e da expressão emocional?

A mudança de padrão: pais (+ - 1930)

A geração dos pais representa uma mudança importante de padrão. O trabalho ganha nova intenção e os sonhos tornam-se mais ambiciosos — agora, os filhos podem ser doutores. No entanto, ainda carregam ressentimentos pela ausência de afeto verbalizado ou demonstrado, fruto das dores herdadas dos seus próprios pais. O trabalho formal ainda é um grande desafio e as condições de acesso às novas formas de conforto doméstico seguem  escassas.

Os baby boomers e o peso do tempo (+ - 1950 – 1960)

A geração dos baby boomers, enfrentou dificuldades para estudar e conquistar o tão desejado título universitário. O foco era a empregabilidade e a ascensão social, mas carregavam também, o peso da dor provocada pela falta de tempo dos pais. Cobrança por desempenho e pressão por profissão definida como possível de sucesso na forma de gerar recursos e assim acesso ao novo (veículos, casa própria, eletrodomésticos modernos etc)

A dor no DNA ainda presente.

Cadê tempo de qualidade para os descendentes?


Os filhos dos baby boomers e a dor da ausência (+ - 1980 – 1990)

Já com diploma em mãos e integrados ao novo status quo, os filhos cresceram sob cuidados terceirizados devido às jornadas de trabalho extenuantes. O sistema assim o exige. Apesar de ter aprendido a dar abraços, a timidamente falar "eu te amo", estes ainda aconteciam de forma ‘econômica”. Alguns momentos dedicados a cantar canções de embalar e ler algumas historinhas, em meio a afirmações: estou cansado (a) A dor que foram legados as seus filhos  foi, sobretudo, a ausência e a falta de tempo. Assim as marcas da sobrevivência permanecem, em maior ou menor grau, presentes nas suas vidas. De outra forma ou não?

Reconhecimento e evolução – Hoje?

Apesar dos desafios, é inegável que evoluímos. Conseguimos compreender as limitações das gerações passadas, entendendo que deram o melhor de si dentro das circunstâncias que lhes foram impostas. O fardo da dor pode ser aliviado à medida que expandimos a nossa consciência. Afinal, cada geração fez aquilo que lhe foi possível realizar. Simples? Nem tanto

Rreflexão

Você, com um novo olhar, poderá entender o que seu pai conseguiu ser?

Como terá sido a infância deste homem que chamamos de pai, que um dia foi criança em quais condições?

E o pai do pai, como teria sido na infância? Um dia foi criança e com quais agruras conviveu?

E os avós dos pais? Com sobreviveram afinal?

E a sua mãe? Como terá sido esta menina que foi um dia? Como terá sido a sua infância? Como se realizaram ou não seus sonhos de mulher?

E a avó, em que cozinha cozinhou a sua maturidade, depois de ter sido a criança criada pela sua bisavó? Que por sua vez foi uma sobrevivente.

Estas mulheres que vieram antes de você, foram amadas? Respeitadas?

As mães talvez tenham sido mães boas, era o que tinham para dar.

Podemos quebrar o corpo da dor que nos legaram.  Acredito que sim. É preciso expandir a consciência e ver pela janela da gratidão e do perdão.

Por que não?

Mantra:

Meu passado não determina o meu presente. Me perdoo por não conseguir perdoar, mas quero liberar as novas gerações.


Por Maria Luiza Kuhn

Novembro de 2025


 
 
 

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